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terça-feira, 10 de maio de 2011

Valentin

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Esses hermanos não param de surpreender...

Quer no campo dos direitos humanos e civis (punição dos generais da ditadura; união civil entre homossexuais integralmente reconhecida) quer na área da cultura (recente proposta do governo de instituir pagamento de pensão a escritores) eles nos surpreendem.

Inveja santa deles...

Menos no futebol, claro!

Com o cinema argentino não é diferente (escrevi aqui sobre). Agora, a deliciosa surpresa é Valentin, do diretor Alejandro Agresti - que, a propósito, está filmando Dictablanda (sugestivo, não?..), lançamento previsto para 2012.

Em sua simplicidade, Valentin é um filme belíssimo! Comovente, do primeiro ao último instante.

O pequeno pibe Valentin (interpretado, aliás, por um garoto que... ah, você verá!) narra eventos da sua vida cotidiana sob a sua percepção de menino perceptívo e espirituoso, mas solitário. Às vezes trágica, às vezes cômica, mas sempre sensível, a narrativa se constrói andante mosso, como o encadear de pequenas peças de pura poesia.

Todo o filme é pródigo de situações memoráveis, quer pela beleza estética, quer pela carga de emoção. Numa dessas passagens o tio leva o garoto à missa. O celebrante é um padre jovem e progressista, por isso mesmo admirado por uns, criticado por outros. Durante o sermão, o sacerdote faz referência a um então recente episódio político muito relevante para a América Latina. Apesar de ligeiramente à margem da comovente história de Valentin, é o trecho que escolho para transcrever aqui:

Hoje, eu quero falar sobre a morte de um homem. Um médico argentino, de Córdoba. Um jovem de uma família respeitável, que se dedicou ao estudo das doenças e de suas curas. Doenças físicas, sofrimentos da carne, como aliviá-los, como combatê-los e como preveni-los.
Este jovem médico poderia ter ficado em sua cidade natal. Poderia ter tido uma vida digna, com o respeito das pessoas e todo o conforto. Em outras palavras, uma vida sem muitas dificuldades.
Ele provavelmente se casaria e teria filhos. E seria capaz de proporcionar a eles tudo de bom. Ele poderia ter desfrutado disso, poderia vê-los crescer e ir para a universidade, como ele próprio fez, para depois desempenhar um papel útil na sociedade.
Mas não.
O nome desse rapaz era Ernesto "Che" Guevara.
Poucos dias atrás, ele foi brutalmente assassinado nas selvas da Bolívia, porque não era suficiente para ele apenas viver em paz... E seguir o caminho fácil que a vida havia lhe concedido (neste momento, algumas pessoas se levantam para deixar a igreja).
Estou falando de um ser humano normal que acreditava em um ideal, acreditava que a injustiça pode ser derrotada (outros se levantam).
Por favor, não saiam! Não saiam, pelo menos antes que vocês tenham perguntado a si mesmos, com toda a sinceridade:
Quem de vocês daria, não toda sua vida, mas apenas um ano... Ou mesmo apenas um dia, por um ideal, o propósito pelo qual Che deu tudo o que tinha?...
(tradução livre do blog)

Pois bem, esse foi um aperitivo. A história do pequeno Valentin tem muito mais. O blog recomenda; e garante que, pelo menos a maioria, ela conduzirá do riso ao choro, ou vice-versa, ou a uma mistura de ambos, no breve intervalo de vinte e quatro quadros...
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5 comentários:

Léli disse...

Oi Marcelo,
eu assisti este filme faz um tempinho com uma amiga cinéfila! E chorei e i muito com o pequeno Valentin, suas peripécias para fazer o amigo namorar com a namorada do pai, para fazer com que o médico medicasse a avó sem que ela fosse até o consultório, poruqe ela sempre se negava e porque ela era a única coisa que ele tinha. Chorei demais imaginando os 12 passos do hall da casa pelo qual a mãe nunca passara.
E chorei agora relendo o sermão do padre...
Gostei do relato.
beijo

Mariê disse...

Excelente post, Nego, excelnte. O filme não merecia menos.

Nós sabemos o quanto eu chorei (mais que ri)nesse filme delicado, sensível e cruel.

♥♥

Marcello disse...

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Léli, o guri é do balacobaco!
E este cinema argentino é um exemplo de qualidade na simplicidade. Recomendo os filmes do Campanella (link na postagem), outro grande diretor argentino.

Obrigado pela visita, um abraço.

-x-x-x-x-

Preta, bora ver mais! Sair na captura de outros filmes do Agresti - se forem metade do que este é, já vale.

Beijo, ♥
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Roy disse...

Gostei, Marcello, gostei mesmo, vou procurar assistir.

Abrax

Roy

Marcello disse...

Assista, sim, Roy. Não é menos que uma obra de arte.
Bom te ver por aqui
abraço.